Febre maculosa em cães

No artigo de hoje iremos falar sobre uma zoonose importante, porém pouco lembrada por médicos humanos e veterinários, a febre maculosa. Para discorrer sobre o assunto, usaremos como base a revisão de Fortes, F.S; Biondo, A.W; Molento, M.B (2011), publicado na revista Ciências Agrárias, da Universidade Federal do Paraná.

 

Causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, a febre maculosa brasileira é uma doença potencialmente fatal em seres-humanos e cães (PADDOCK et al., 2002). Atualmente é considerada uma zoonose reemergente no Brasil e de grande impacto para a saúde pública, devido a dificuldade diagnóstica e à alta mortalidade em casos humanos não tratados precocemente (GRECA; LANGONI; SOUZA, 2008).

 

A transmissão da febre maculosa ocorre, principalmente, através picada do carrapato infectado pela bactéria, por meio da saliva dos carrapatos, durante sua picada no momento do repasto sanguíneo. Em humanos, existe ainda o risco de contaminação através da manipulação dos carrapatos, no momento de retirada deles do local de fixação nos cães (RAOULT; PAROLA, 2007).  Nos Estados Unidos, casos graves da infecção por R. rickettsii em seres humanos foram precedidos pela ocorrência da doença em cães, os quais foram associados à transmissão do agente para as pessoas (PADDOCK et al., 2002). No mesmo país, um caso humano fatal de febre maculosa ocorreu algumas semanas após a morte de dois cães deste paciente, provavelmente causado pela mesma doença. No Brasil, inquéritos sorológicos em cães provenientes de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rondônia e Paraná revelaram uma prevalência aparente de anticorpos anti-R. rickettsii que variou de 2 a 64%.

 

Sinais Clínicos

 

Os achados iniciais podem incluir febre (39,2 a 40,5ºC), que surge 4 a 5 dias após a picada do carrapato, letargia, anorexia, depressão, epistaxe, petéquias e equimoses cutâneas, injeções esclerais e conjuntivite nas mucosas ocular, oral e genital. Sinais clínicos comuns também incluem tosse, dispnéia, aumento de sons broncovesiculares, linfadenite, perda de peso e desidratação dos animais. Edema de extremidades normalmente é encontrado envolvendo orelhas, lábios, mucosa peniana e escroto. Durante o estágio final da doença ou na convalescença, pode haver necrose de extremidades.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico da febre maculosa em cães é baseado na observação de sinais clínicos e na confirmação laboratorial por meio de métodos diretos (imunohistoquímica, cultivo celular, PCR) e/ou indiretos (sorológicos). É fundamental associar o diagnóstico laboratorial com a situação e os antecedentes epidemiológicos da região, a procedência do caso suspeito e a época do ano, para diferenciação de outras enfermidades.

 

Tratamento

 

O tratamento da FMB em cães é realizado com antibioticoterapia específica e seu sucesso está diretamente ligado ao achado da infecção no seu início. Os fármacos de eleição para o tratamento da enfermidade nos cães são as tetraciclinas (25 a 30 mg/Kg), doxiciclina (10 a 20 mg/Kg) ou cloranfenicol (15 a 30 mg/Kg).

Concluindo, os autores do trabalho citado ressaltam a importância do treinamento de veterinários e médicos para o diagnóstico e tratamento precoce da febre maculose. Asim, eles defendem a realização de pesquisas sorológicas em populações caninas, para avaliar e monitorar a freqüência da doença nas diferentes regiões do país, estabelecendo áreas de potencial risco para a transmissão da doença a cães e seres humanos, possibilitando a implantação de medidas profiláticas adequadas (como o controle do vetor, por exemplo).

 

Fonte:

 

FORTES, F.S; BIONDO, A.W; MOLENTO, M.B. Febre maculosa brasileira em cães. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v.32, n.1, p. 339-354, jan/mar 2011.

 

Referências:

 

GRECA, H.; LANGONI, H.; SOUZA, L. C. Brazilian spotted fever: a reemergent zoonosis. Journal of Venomous Animals and Toxins including Tropical Diseases, v. 14, n. 1, p. 3-18, 2008

 

PADDOCK, C. D.; BRENNER, O.; VAID, C.; BOYD, D. B.; BERG, J. M.; JOSEPH, R. J.; ZAKI, S. R.; CHILDS, J. E. Short report: concurrent Rocky Mountain spotted fever in a dog and its owner. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, v. 66, n. 2, p. 197-199, 2002.

 

RAOULT, D.; PAROLA, P. Rickettsial diseases. New York London: CRC Press, 2007

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *