Paralisia do Carrapato

Introdução

 

A Paralisia do Carrapato é uma doença pouco conhecida, porém muito grave. Trata-se de uma moléstia aguda causada por toxinas produzidas pela fêmea do carrapato, durante o parasitismo no hospedeiro. Geralmente ocorre em animais como cães, cabras e ovelhas, mas pode ocorrer em humanos.

 

Efeitos sistêmicos e casos relatados em humanos

 

A toxina presente na saliva do carrapato é capaz de interromper as sinapses nervosas na medula espinhal e bloquear as junções neuromusculares, inibindo a liberação de acetilcolina e causando danos aos sítios receptores. Aproximadamente 40 ou mais espécies de carrapatos podem causar a paralisia. Na América do Norte, a espécie mais relacionada é a Dermacentor andersoni ou Dermacentor variabilis, na Austrália, Ixodes holocyclus, no México geralmente é causado pelo Amblyomma maculatum. No Brasil, têm sido relatados casos em cabras, ovelhas e no gado, causados pelo Amblyomma cajennense (REMONDEGUI, 2012).

 

Os sintomas evoluem rapidamente e podem ser inespecíficos. Muitas vezes se parecem com as manifestações da síndrome de Guillain-Barré. Entre os sinais estão, disfunção de nervos periféricos, dificuldade respiratória, efeitos cardiovasculares, vômitos, dificuldade em caminhar e em segurar objetos, formigamento, visão turva, prostração, febre leve, entre outros. Casos fatais têm ocorrido, apesar de serem mais raros. Normalmente, os sintomas aparecem poucos dias após contato direto com áreas ou animais infestados por carrapatos, principalmente em zonas rurais.  Os sintomas vão evoluindo enquanto os carrapatos estão se alimentando no hospedeiro, sendo que após a remoção do artrópode, o quadro clínico tende a retroceder.

 

Deve-se prestar atenção, pois muitas vezes o carrapato está fixado em um local de difícil visualização, como ocorreu no relato de caso de paralisia por carrapato em uma criança. Apenas após alguns dias de sintomas severos com internação em UTI, um carrapato foi encontrado no couro cabeludo da paciente. Os médicos estavam suspeitando apenas da síndrome de Guillain-Barré. Com a remoção do parasita, a paciente se recuperou rapidamente (FELZ et al., 2000).

 

Em muitos casos de mortes causadas por paralisia generalizada sem diagnóstico, foram encontrados carrapatos na cabeça ou pescoço do indivíduo durante a autópsia.

 

No Brasil foi relatado oficialmente um caso em humanos até agora, em uma mulher de 28 anos que esteve em uma fazenda e manteve contato com cavalos, pastos, rios e capivaras. (ALMEIDA et al., 2012).

 

Os pets são potenciais hospedeiros de carrapatos e podem trazer espécies, como as aqui relatadas, para dentro das casas das pessoas. Além disso, casos de paralisia em cães (WALL & SHEARER, 2001) e gatos (SCHULL; LITSTER; ATWELL, 2007) também têm sido relatados.  Por isso, a melhor forma de combate dessa doença é a prevenção. Cães e gatos devem estar sendo sempre inspecionados e tratados preventivamente contra ectoparasitas. A utilização de coleiras anti-pulgas e carrapatos de longa duração é indicada principalmente nos casos de animais que tem livre acesso a áreas externas.

 

 

Referências

 

ALMEIDA, R. A. M. B.; FERREIRA, M. A.; BARRAVIERA, B.; HADDAD JR, V. The first reported case of human tick paralysis in Brazil: a new induction pattern by immature stages. J. Venom. Anim. Toxins incl. Trop. Dis. 2012, vol.18, n.4, p. 459-461. Disponível em:  <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-91992012000400017&script=sci_arttext>. Acesso em nov. de 2013.

 

FELZ, M.W.; SMITH, C. D.; SWIFT, T. R. A Six-Year-Old Girl with Tick Paralysis. The New England Journal of Medicine. 2000, v. 342, n. 2, p. 90-94. Disponível em: <http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM200001133420204#t=article>. Acesso em nov de 2013.

 

REMONDEGUI, C. Tick paralysis cases in Argentina. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 2012, vol.45, n.4, p. 533-534. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0037-86822012000400025&script=sci_arttext>. Acesso em nov. de 2013.

 

SCHULL, D. N.; LITSTER, A. L.; ATWELL, R. B. Tick toxicity in cats caused by Ixodes species in Australia: a review of published literature. Journal of Feline Medicine and Surgery. 2007, v. 9, n. 6, p. 487-493.

 

WALL, R.; SHEARER, D. Veterinary Ectoparasites – Biology, Pathology & Control. 2. ed: Blackwell Science, 2001. 262p.

 

 

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